- Atualizado em 14:33

Polí­cia

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Homem é assassinado na zona rural de Presidente Prudente

Próximo ao local onde a vítima estava foi encontrado um carro batido em uma árvore e os quatro ocupantes do veículo acabaram detidos

PRESIDENTE PRUDENTE - Um homem foi morto com disparos de arma de fogo, na manhã desta segunda-feira (19), na zona rural de Presidente Prudente (SP). Um suspeito de envolvimento no assassinato foi preso.

De acordo com as informações repassadas pela Polícia Militar, a vítima foi encontrada ainda com vida, mas morreu logo em seguida, em uma estrada rural que dá acesso ao Bairro do Gramado.

A Polícia Militar levou o caso à Delegacia Participativa da Polícia Civil, que efetuou o registro da ocorrência e deu início às investigações.

Próximo ao local onde a vítima estava os policiais também encontraram um carro batido em uma árvore e os quatro ocupantes do veículo acabaram detidos e levados à Delegacia Participativa para prestarem esclarecimentos. Os ocupantes do carro são três homens e uma mulher, que eram conhecidos da vítima.

Após prestarem depoimento à Polícia Civil, um dos ocupantes do carro foi preso e os outros três liberados.

A irmã da vítima informou que as quatro pessoas que estavam no carro haviam saído com seu irmão na noite deste domingo (18) e posteriormente o deixaram em casa. Na manhã desta segunda-feira os quatro buscaram novamente a vítima, de 38 anos, por volta das 8h30.

A irmã relatou que depois a única informação que recebeu foi da morte do irmão. Segundo ela, o homem foi levado para o Hospital Regional, mas já chegou sem vida na unidade.

A polícia informou que a marca do tiro ficava na região do tórax da vítima.

O caso segue em apuração.

A abordagem

O caso foi registrado na Delegacia Participativa da Polícia Civil como homicídio qualificado por motivo fútil, posse irregular de arma de fogo de uso permitido e oferecer droga a pessoa de seu relacionamento.

Conforme o Boletim de Ocorrência, uma equipe policial realizava patrulhamento de rotina quando foi acionada para averiguar uma denúncia, onde um veículo havia abandonado um homem desacordado em uma estrada e, cerca de 200 metros depois, bateu em uma árvore.

O denunciante ainda informou ter ouvido disparos de arma de fogo e que três ocupantes do veículo haviam fugido a pé e outro ficou próximo do veículo.

Com o apoio de outras viaturas, os militares se deslocaram para a Estrada Rural Gramado, onde conseguiram abordar três pessoas caminhando juntas pela estrada, no sentido à cidade.

Os policiais notaram que os três estavam nervosos. Uma viatura permaneceu no local com as três pessoas.

Cerca de 250 metros à frente, os militares encontraram outra pessoa e o veículo batido contra uma árvore.

Com a indicação de populares, os policiais seguiram mais cerca de 200 metros onde localizaram um indivíduo caído no chão, desacordado, com pulsação bem fraca.

O Resgate do Corpo de Bombeiros foi acionado e encaminhou a vítima para o Hospital Regional.

Segundo o boletim, os policiais foram informados de que a vítima apresentava perfuração de arma de fogo.

Um dos homens abordados informou aos militares que estava bebendo e usando drogas com as quatro pessoas e, em dado momento, foram até a estrada pois, segundo o suspeito do crime, havia mais droga em uma chácara.

Porém, ainda conforme o relato do homem aos militares, durante o trajeto, três pessoas desceram do veículo, falando que iriam urinar, quando viu o suspeito atirar em direção a vítima.

Em seguida, o suspeito entrou no veículo, pedindo para que o homem dirigisse. Devido a esse fato, ele perdeu o controle e colidiu contra a árvore. O homem ainda relatou que não tinha conhecimento de que o suspeito estava armado.

Outras duas pessoas informaram aos militares que estavam bebendo e consumindo drogas em um posto e que foram até aquela estrada, pois teria mais drogas no local.

Neste local, os dois ouviram disparos e não souberam informar qual o motivo do desentendimento entre o suspeito e a vítima.

Já o suspeito, por sua vez, admitiu aos policiais militares que efetuou os disparos contra a vítima em razão dela ter lhe ameaçado, dizendo que estava portando um canivete na língua e que iria matá-lo. O suspeito não informou de quem era a arma de fogo.

Um dos homens ainda informou que o suspeito dispensou a arma de fogo pela janela.

Segundo o documento policial, com o apoio do Canil foi possível localizar um revólver de calibre 38, próximo ao veículo, com três munições deflagradas e duas intactas, sendo uma de festim.

Diante disso, os policiais conduziram todas as partes para a Delegacia Participativa após os trabalhos periciais no local.

O veículo utilizado foi apreendido administrativamente. Os militares souberam posteriormente que a vítima morreu.

Depoimentos

Na delegacia, três dos abordados prestaram suas versões sobre o caso, tendo todos afirmado, com algumas peculiaridades e pequenas divergências, que passaram a madrugada e a manhã ingerindo bebida alcoólica e usando cocaína, estando todos no veículo, segundo o boletim.

Eles ainda alegaram que foram até um posto, onde consumiram mais drogas e bebidas, sendo que, em determinado momento, a vítima foi embora para sua casa. Contudo, logo após, passaram na residência da vítima, a pegaram e foram para a estrada de terra, onde novamente fariam uso de drogas.

Os três ainda relataram que, em determinado momento, a vítima e o suspeito desceram do veículo e, logo em seguida, o suspeito efetuou alguns disparados contra a vítima.

Em seguida, o suspeito entrou no carro e ordenou que o motorista deixasse o local. Porém, em razão do nervosismo, o condutor bateu contra uma árvore.

Duas das pessoas abordadas não souberam dizer a razão pela qual o suspeito atirou na vítima. A outra pessoa abordada relatou que o suspeito não teria gostado que a vítima teria se insinuado a ele, uma vez que a vítima é homossexual, mas o suspeito não, segundo as informações da ocorrência.

Todos os envolvidos afirmaram que desconheciam que o suspeito portava uma arma de fogo e que não tiveram conhecimento de seu intuito de matar a vítima, sendo todos surpreendidos com tal conduta.

Ao ser perguntado sobre os fatos, o suspeito reservou-se no direito de permanecer calado.

Todos os envolvidos, inclusive a vítima, foram submetidos a exame residuográfico.

O revólver usado no crime foi apreendido, assim como os aparelhos celulares localizados com dois abordados e a vítima.

Dois advogados acompanharam os depoimentos de duas pessoas.

Ainda foi requisitado exames necroscópico e toxicológico para a vítima.

A Polícia Civil entendeu que contra o suspeito havia indícios de autoria do homicídio, uma vez que foi preso em flagrante imediatamente após a prática do crime e apontado por todas as pessoas que estavam no cenário do crime como sendo o autor dos disparos.

Com relação as outras três pessoas, inicialmente, a Polícia Civil não vislumbrou a presença de indícios seguros para comprovar que elas tivessem conhecimento prévio da conduta praticada pelo suspeito. Os três foram ouvidos separadamente e afirmaram que sequer sabiam que o suspeito estava armado e que foram surpreendidos com os disparos efetuados.

Segundo o boletim, os três foram ouvidos e liberados, sem prejuízo de também responderem pelo crime de homicídio se, no curso das investigações, comprovar-se suas participações.

Com relação ao suspeito, a Polícia Civil também verificou que ele praticou o crime de porte de arma de fogo, pois portava o revólver, inicialmente, sem qualquer intenção homicida, bem como adquiriu e forneceu droga aos demais para juntos consumirem, sendo formalmente indiciado por todos esses delitos, ainda segundo o Boletim de Ocorrência.

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