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Reboque irregular se solta e causa acidente com 7 mortos em Marília

O popular “jeitinho brasileiro” de resolver as coisas foi o responsável pelo acidente


O popular “jeitinho brasileiro” de resolver as coisas foi o responsável por um dos mais trágicos acidentes registrados em Marília desde a sua fundação, há 83 anos. A economia de alguns reais para a instalação correta de um acessório resultou na perda de sete vidas, entre elas de uma criança de 10 anos e um adolescente de 14. Uma menina de apenas seis anos, a única sobrevivente, passou por cirurgia, mas seu estado de saúde é considero gravíssimo e ela ainda corre sério risco de morte.



O acidente aconteceu por volta das 10h na altura do quilômetro 343 da SP-333 (Rodovia Rachid Rayes), em frente à Fundação Casa, antiga Febem. Dirigida por M.C. de P., 36, camionete Chevrolet D-20, com placas de Londrina (PR), subia serra no sentido Marília quando o reboque, carregado com mais de meia tonelada de estruturas metálicas, se desprendeu do engate – improvisado e parafusado no parachoque traseiro do veículo.



“Verificamos que o engate foi adaptado e que também não atende às especificações da legislação brasileira de trânsito. É claro que a perícia técnica vai determinar o que de fato aconteceu, mas pelo o que colhemos aqui (no local), o responsável por essa tragédia foi o condutor da camionete”, afirmou Augusto José Carvalho Filho, tenente da PRE (Polícia Rodoviária Estadual).



Descontrolado, o reboque desceu, ziguezagueando pela pista. Logo atrás, H.D., 58, no volante Ford Escort, placas de Assis, tentou desviar, invadindo a pista contrária, mas bateu de frente em Fiat Elba, de Marília, dirigido por F.P.C., também de 58.



Quase que instantaneamente ao impacto entre os dois carros, o reboque atingiu violentamente a lateral da Elba. Além do condutor, sua esposa, S. da S., 54, a vizinha do casal, A. de O.M., 43, e seus dois filhos dela, L.F.M., 14, e F.H.M., 10, morrem na hora.



No Escort, além de H.D, estava a sua mulher, R. de C. de J.D., 26. Os dois morreram na batida. No banco de trás, a pequena V., 6, filha do primeiro casamento de R. de C. de J.D., – o pai da menina é paciente terminal de câncer –, sofreu afundamento no tórax e apresentava sangramento no baço quando foi socorrida pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). No final da tarde, ela foi encaminhada ao Centro Cirúrgico do Hospital das Clínicas.



O acidente violento criou um cenário de destruição. Estilhaços de vidros, carenagem dos carros, algumas partes das estruturas metálicas e até pedaços humanos ficaram espalhados pela pista, que ficou interditada por completo por duas horas e meia e causou mais de dez quilômetros de congestionamento. Nos noventa minutos seguintes, meia pista foi liberada. Às 14h, o trânsito foi normalizado.



O delegado plantonista Emir Giroto esteve no local e acompanhou o trabalho dos peritos do IC (Instituto de Criminalística). “O motorista da camionete foi imprudente e irresponsável por transportar o reboque naquelas condições e ainda com sobrepeso”, disse, justificando o indiciamento por homicídio culposo de M.C. de P., que foi preso em flagrante e colocado em uma cela no Plantão Policial. Foi arbitrada fiança de R$ 3 mil, que não havia sido paga até o fechamento desta edição.



Os corpos das sete vítimas permaneciam no IML (Instituto Médico-Legal), onde aguardavam reconhecimento dos familiares. Todos os ocupantes do Elba residiam no Argolo Ferrão, zona oeste. A família do Escort morava em um conjunto habitacional de Assis (70 km de Marília). Até o fechamento desta edição, não havia previsão acerca dos sepultamentos. Segundo apurou a reportagem do Jornal Diário, a instalação de um engate veicular varia entre R$ 200 e R$ 400.



Com estes sete óbitos, a polícia registra agora 20 mortes no trânsito apenas neste ano, número 185,7% maior se comparado com o mesmo período de 2011, quando haviam sido contabilizadas sete vítimas fatais. Em todo o ano passado, 37 pessoas perderam a vida vítima de colisões na área urbana e rodovias.

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