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‘Com certeza, Deus me deu mais uma chance’, afirma vítima de acidente

Promotora de vendas que ficou presa debaixo de carreta com 38 toneladas se reencontrou com bombeiros que a socorreram em Presidente Prudente

Na sede da corporação, em Presidente Prudente, a promotora de vendas Maria Eliza Vieira Dionísio se reencontrou nesta terça-feira (17) com os bombeiros que a salvaram (Foto: Gelson Netto/iFronteira) Na sede da corporação, em Presidente Prudente, a promotora de vendas Maria Eliza Vieira Dionísio se reencontrou nesta terça-feira (17) com os bombeiros que a salvaram (Foto: Gelson Netto/iFronteira)

PRESIDENTE PRUDENTE - Quinze dias depois de sobreviver ao tombamento de uma carreta de 38 toneladas sobre o veículo Gol que dirigia, a promotora de vendas Maria Eliza Vieira Dionísio, 28 anos, se reencontrou na tarde desta terça-feira (17) com os militares do Corpo de Bombeiros que a resgataram naquela situação e que ajudaram a salvar sua vida.

“Com certeza, Deus me deu mais uma chance”, afirmou Maria Eliza, que esteve na sede da corporação, em Presidente Prudente, acompanhada das filhas Milene, 9 anos, e Maria Eduarda, 5.

No dia 2 de setembro, ela trafegava sozinha no Gol pela Rodovia Raposo Tavares, no sentido Álvares Machado-Presidente Prudente, quando, na altura da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), foi surpreendida com a carreta que tombou em cima do veículo.

O homem que trafegava no Honda Fit que bateu de frente com a carreta morreu no acidente.

“Nunca imaginei que aquilo aconteceria comigo. Eu trafegava tranquila, normal. Até hoje tenho dificuldades para dormir. Eu me lembro de tudo, do barulho, da freada do caminhão. Eu estava consciente”, contou Maria Eliza.

Ela ficou presa nas ferragens, teve fraturas em seis vertebras, sofreu também arranhões e passou dois dias internada no Hospital Regional (HR). Já o carro que ela dirigia teve perda total.

“Na hora do resgate, os bombeiros me tranquilizaram. Não me senti insegura e fiquei o tempo todo bem tranquila. Não existe quase morte, existe vida pela frente. Deus me salvou e só deixou para eles me tirarem do carro”, salientou.

Para aquelas pessoas que encaram a vida com insatisfação, Maria Eliza deixou uma lição de serenidade.

“O mundo está cheio de pessoas insatisfeitas. Todo mundo reclama. Mas eu não fiquei revoltada, mesmo passando por uma situação tão grave como essa. Eu só queria tomar banho, mas não podia me mexer. Eu queria comer, mas não conseguia. Ainda sinto dor na região da coluna e tenho os movimentos limitados. Não posso me abaixar e não consigo me ajoelhar. Não estou com o meu bebê, não posso cuidar dele. Mas passei a valorizar o dia a dia da vida”, afirmou, lembrando do filho Mateus, de apenas oito meses de idade.

A promotora de vendas, que vai ter de usar um colar cervical por um período de 60 dias, agradeceu, principalmente, a calma e a rapidez no atendimento do Corpo de Bombeiros, mas ainda brincou, dizendo que não deseja mais voltar à sede da corporação, como nesta terça.

Além disso, também disse que não ficou traumatizada para dirigir.

“Se eu estivesse errada ou tivesse provocado o acidente, ficaria traumatizada. Mas eu não vejo a hora de o médico me liberar para dirigir. Eu adoro dirigir e estou doida para voltar a pegar no volante”, admitiu a moradora do Jardim Bongiovani, em Presidente Prudente.

Para o tenente Daniel Lourenço Kimura, do setor de Relações Públicas do 14º Grupamento de Bombeiros, o reencontro com Maria Eliza foi importante para estreitar o relacionamento dos profissionais com a sociedade e também como um indicador de retorno da qualidade do atendimento prestado pela corporação.

Além disso, segundo ele, é um gesto que serve como um instrumento de motivação.

“É muito motivador para a gente, é o lado humano. Para cada um que trabalhou ali, é um momento difícil de esquecer. A situação da vítima era muito delicada e exigia um trabalho muito minucioso e preciso. O que mais nos impressionou foi a calma dela, que até brincou com a situação”, comentou Kimura.

No total, conforme o tenente, a operação de resgate de Maria Eliza envolveu a participação de 15 bombeiros. O sargento Fábio Rodrigo dos Santos, que era o comandante da primeira viatura de resgate que chegou ao local do acidente, explicou que a preocupação inicial dos bombeiros foi estabilizar a carreta com 38 toneladas que estava em cima do Gol e, consequentemente, de Maria Eliza.

“Era um desafio. Não poderíamos errar. Nós tentávamos manter a vítima tranquila e proporcionar um ambiente favorável para trabalharmos. Havia um risco muito grande, tanto para a vítima quanto para nós, bombeiros. Usamos várias técnicas para conseguir tirá-la debaixo do caminhão. Se abaixasse 30 centímetros, esmagaria a vítima. Não havia margem para erro. Levamos 40 minutos para tirar a vítima e ela não sabia que sobre o carro havia uma carreta. Foi um trabalho milimétrico. Um bombeiro nunca consegue trabalhar sozinho. Foi um trabalho conjunto, porque um bombeiro sozinho não é ninguém”, contou o sargento.

Na opinião de Santos, o reencontro com Maria Eliza foi um momento de muita emoção que, para os bombeiros, representa o “verdadeiro pagamento” pelo trabalho prestado à sociedade.

“Ela nasceu de novo. Foi a mão de Deus que segurou aquele caminhão”, definiu o sargento.

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