- Atualizado em 14/10/2024 14:45

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Polícia conclui inquérito sobre desaparecimento de secretária da Apae de Bauru e pede prisão preventiva de ex-presidente da entidade

A polícia pede que Roberto Franceschetti Filho responda por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual.

BAURU - A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o desaparecimento da ex-funcionária da Apae de Bauru (SP) Cláudia Regina Lobo, vista pela última vez no dia 6 de agosto. A investigação pede que Roberto Franceschetti Filho, presidente da entidade na época do ocorrido, responda por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual.
 
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público para que o suspeito seja indiciado pelos crimes. O delegado Cledson Luiz do Nascimento, responsável pelas investigações, ainda pediu a prisão preventiva de Roberto, já que seu período de prisão temporária termina neste domingo (13).
 
Relembre o caso
 
Cláudia foi vista pela última vez no dia 6 de agosto, ao entrar em um veículo da Apae sem celular ou documentos de identificação. Dias após seu desaparecimento, esse mesmo veículo foi encontrado abandonado.
 
Em 16 de setembro, um laudo de confronto genético realizado com material coletado no carro confirmou que o sangue encontrado pela perícia pertencia a Cláudia.
 
Roberto foi preso no dia 15 de agosto como principal suspeito do envolvimento no desaparecimento e possível assassinato de Cláudia.
 
Durante as investigações, fragmentos de ossos foram encontrados em uma propriedade rural em Bauru. Este material segue em análise no Núcleo de Biologia e Bioquímica da Polícia Científica em São Paulo (SP).
 
Rumo das investigações
Antes de ser investigado como principal suspeito do crime, Roberto tentou guiar as investigações para um possível familiar de Cláudia que foi preso por tráfico, afirmando que a secretária estava arcando com dívidas do parente.
 
Ao mesmo tempo, a coordenadora financeira da Apae confirmou que Roberto liberava "adiantamentos" que eram lançados como pagamentos para fornecedores diretamente para Cláudia.
 
O computador da vítima foi periciado e, nele, foram encontradas planilhas de contabilidade pessoal de Cláudia, com indicações de inconsistências financeiras, inclusive com valores em aberto em relação a Roberto.
 
"Diante disso, em diligências visando à coleta de material genético da desaparecida, apreendemos também o seu notebook, além da quantia de R$ 10 mil em espécie que havia sido deixada por Cláudia na casa da filha", consta no documento que relata a cronologia das investigações.
A investigação concluiu ainda que havia uma disputa de poder entre o ex-presidente da Apae e a secretária executiva. Segundo o delegado, Roberto seria, na verdade, subordinado a Cláudia. Supostamente, ela teria colocado o suspeito na presidência da entidade e, depois, ele quis se desvencilhar dela.
 
Polícia confirma assassinato
 
No dia 26 de agosto, a Polícia Civil confirmou que a funcionária da Apae de Bauru foi assassinada. As investigações indicam que Cláudia foi morta por um tiro, disparado por Roberto, no carro da entidade, antes de o veículo ser abandonado na região do bairro Vila Dutra.
 
Imagens de uma câmera de segurança mostram o presidente saindo do banco de passageiro e assumindo o volante, enquanto Cláudia vai para o banco traseiro. O carro permaneceu estacionado por três minutos, momento em que, segundo a polícia, Roberto disparou contra Cláudia.
 
"O Roberto sai do banco do passageiro e assume a direção, indo a Cláudia para o banco de trás, tranquilamente, sem nenhum tipo de ameaça ou pressão. Esse veículo fica parado por cerca de três minutos. Para nossa investigação, é nesse momento que acontece o disparo, porque, daí, ele já sai direto para a região rural do bairro Pousada da Esperança" , explicou o delegado Cledson do Nascimento.
 
Após o crime, Roberto teria acionado Dilomar Batista, funcionário do almoxarifado da Apae, a quem ele teria ameaçado para ajudá-lo no descarte do corpo. Dilomar foi ouvido pela polícia no dia 23 de agosto e confessou que ajudou a queimar o corpo de Cláudia sob ameaça de Roberto.
 
O funcionário relatou que o corpo foi incinerado em uma área de descarte usada esporadicamente pela Apae e disse que, quatro dias depois, voltou para espalhar as cinzas em áreas de mata ao redor do local.
 
No dia do crime, Dilomar assumiu o veículo que Cláudia dirigia e o abandonou na região da Vila Dutra, de onde ele e Roberto partiram em outro veículo da instituição.
 
Buscas por Cláudia Lobo
 
Em coletiva à imprensa, a Apae confirmou que a área rural onde foram feitas buscas por Cláudia foi utilizada algumas vezes para descarte de material da Apae, inclusive no dia em que a secretária desapareceu, mas que isso só foi descoberto após uma sindicância interna. Também disse que os descartes acontecem exclusivamente nos ecopontos da cidade.
 
Durante as mesmas buscas, a polícia encontrou os óculos da funcionária, objeto que foi reconhecido por parentes dela.
 
Além disso, um exame balístico confirmou que um estojo de pistola calibre 380 encontrado dentro do veículo no qual a funcionária da Apae de Bauru foi vista pela última vez foi disparado pela arma apreendida na residência do ex-presidente da associação.
 
Mais de uma semana depois do desaparecimento de Cláudia, um sinal de celular confirmou que Roberto esteve no local onde o carro da entidade usado por ela foi encontrado.
 
 
 
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