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Papo Terapêutico: "Sobre o botão do "

Psicóloga Andreia escreve ao Portal Ocnet

Quem nunca pensou em apertar o botãozinho do... (ainda vou pensar em algo menos chulo, mas com o mesmo efeito libertador!).

Essa vontade chega diante de situações adversas em que você trabalha incansavelmente e nunca é reconhecido.  Quando a pessoa que devia ser sua companheira se banha em egoísmos ignorando ser parceira, ser recíproca.

Um mexerico que lhe causou constrangimento e lhe tirou o sono. Diante uma preocupação desmedida de agradar o outro ou esperar atenção. Não comprar essa ou aquela moto, porque vão dizer que não tem mais idade.  E talvez a pior das situações, viver sendo o que não é para agradar a um padrão que você nem admira.  Então sim precisa de um botãozinho libertador que o traga de volta o controle de si. E se apropriar do jargão popular: ligar o botão do “F@#*- se” e bola pra frete que atrás vem gente.

Nem sempre podemos fazer isso e apertar o botão pode ser irreversível. Mas há momentos que temos de nos livrar, ou pelo menos tomar uma postura de afastamento para avaliar, refletir e decidir sobre o que estamos sendo.

Este momento é quando a pressão de agradar o outro está sufocando seu eu e sua vida.

Jung dá o nome de Persona a este processo do indivíduo de se adaptar ao meio de acordo com cada ambiente social para ser aceito. Vivendo como gostaria de ser ou como acredita que deva ser.

Machado de Assis no conto “O Espelho” mostra uma Persona de um alferes que apenas andava com sua farda.  Em férias no sítio trocou a farda por um pijama e ao se olhar no espelho sentiu que estava desaparecendo. Em desespero de procurar ajuda colocou a farda para sair e eis que o reflexo se reformou trazendo de volta sua imagem respeitada e adequada para si.

Isso acontece na vida real também quando a mantenedora da família se dedica de forma demasiada a outros ficando invisível. Com o profissional equilibrado e respeitado que se martiriza por desejar coisas que serão apontadas negativamente.

São confusões do eu verdadeiro e o papel social que promove. Que pode manter uma pessoa forte, mas rígida sem humanização. Ser uma pessoa mecânica sem sentimentos, frustrada e amargurada ou condenada a patologias psicológicas e quadros depressivos. Nesta situação se não é capaz de apertar o botão precisa de ajuda terapêutica.

Porque é importante a resiliência e o jogo de cintura. É saudável a adaptação ao meio e a interação social. Porém não se deve deixar que seu verdadeiro eu sofra ou se anule. O Eu Verdadeiro tem que ter poder sobre sua Persona para que não seja prisioneiro de uma mentira para adequação e posição social em detrimento a felicidade e satisfação pessoal. Lógico que não devemos ficar mandando tudo pelos ares e como o personagem do filme: O Máscara, descomprometendo se com os padrões sociais de boa convivência. O equilíbrio é sempre o saudável. E qualquer extremo é uma perda do controle de si e do seu verdadeiro eu. Freud diz que no processo terapêutico precisamos conhecer a Persona para encontrar nosso eu verdadeiro.

Está sufocado por uma Persona que lhe sufoca, adoece, constrange, limita, agride... liga o botão do F**-** e abrace sua liberdade, sua paz, seu eu!

Psicóloga Andreia Ferreira

CRP nº06/112931

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