Saúde

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Após novos estudos, estados e hospitais modificam protocolos para cloroquina e uso diminui

Médicos de hospitais públicos e privados afirmam que a prescrição dos remédios vem diminuindo depois da divulgação de pesquisas científicas.

NACIONAL - Um levantamento feito mostra que pelo menos 13 estados e o Distrito Federal emitiram notas técnicas entre o fim de maio e julho descrevendo a falta de evidências científicas na prescrição da cloroquina e da hidroxicloroquina.
 
Além do Distrito Federal, pelo menos oito estados editaram novas normas com a expressiva recomendação para que médicos NÃO usem a medicação em casos leves ou mais graves.
 
São eles: São Paulo, Paraná, Bahia, Espírito Santo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará.
 
Outros cinco estados recomendaram cuidados redobrados dos médicos: Acre, Amazonas, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.
 
O secretário de saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, afirmou que a decisão pela não recomendação se baseou na análise de novos estudos.
 
"Inúmeras pesquisas não mostram evidências científicas de efeitos da cloroquina sobre o coronavírus. Dessa forma, o protocolo atual da secretaria estadual de saúde da Paraíba não contempla a utilização da cloroquina, nem hidroxicloroquina", disse.
 
Os estados citam nos novos protocolos pesquisas publicadas na revista científica The Lancet. Levam em consideração ainda as recomendações da Organização Mundial da Saúde e da Sociedade Brasileira de Infectologia.
 
Em maio, o Ministério da Saúde editou um novo protocolo ampliando a recomendação da cloroquina e hidroxicloroquina para pacientes com casos leves de coronavírus.
 
Apesar das evidências científicas apontarem para a ineficácia do medicamento, pelo menos nove estados afirmaram que seguem os protocolos do Ministério ou mantiveram a recomendação inicial para o uso das medicações: Rio de Janeiro, Pará, Alagoas, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Pernambuco e Sergipe.
 
Em São Paulo, a CBN procurou 10 hospitais privados de referência no tratamento da covid-19. Seis deles mudaram os protocolos.
 
Um exemplo é o Sírio Libanês. A mudança veio no fim de julho depois de um estudo brasileiro feito por uma coalizão também apontar riscos no uso.
 
O coordenador de práticas médicas do hospital, Felipe Duarte Silva, disse que se o médico insistir na aplicação, precisa justificar o uso.
 
"Para médicos que por ventura, em caráter excepcional, desejem prescrever a cloroquina, o que temos feito são termos de consentimento, pedidos de justificativa sobre o porque a droga é importante ou precisa entrar no tratamento e seguimos com monitoramento de efeitos adversos. O que estamos vendo é que outras medidas fazem a diferença, como um bom cuidado intensivo. Manter o paciente na UTI bem, ventilar e cuidar para que ele não tenha infecção secundária. Tudo isso faz muito diferença e talvez o remédio da cura seja o menor dos problemas", conta.
 
Na contramão, pelo menos um grande hospital e três redes da capital paulista mantiveram o uso da cloroquina nos protocolos.
 
Entre eles a Prevent Senior, que criou kits de cloroquina para pacientes com casos leves e moderados usarem em casa.
 
De acordo com normas do Conselho Federal de Medicina, os médicos possuem liberdade de prescrição da medicação, mesmo com recomendações de não uso feitas por autoridades.
 
Na rede pública de São Paulo, o coordenador dos hospitais municipais, Luiz Zamarco, contou que não se veem mais receitas de cloroquina ou hidroxicloroquina para pacientes com COVID-19.
 
"Depois dos estudos mostrarem que os medicamentos não tinham eficácia sobre o tratamento da COVID-19, percebemos que eles foram abolidos pela maioria dos médicos. Não vejo mais nenhum receituário nosso com hidroxicloroquina ou cloquina", disse.
 
O Ministério da Saúde distribuiu até julho mais de quatro milhões de comprimidos de cloroquina e hidroxicloroquina para os estados, que repassam a medicação para municípios e hospitais.
 
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