Polí­cia

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Professor deficiente físico alega ter sido agredido por policiais militares em banheiro público do Parque do Povo, em Presidente Prudente

Rafael Gomes, de 35 anos, que é morador de Narandiba (SP), registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia Participativa da Polícia Civil.

PRESIDENTE PRUDENTE - Um professor, de 35 anos, morador de Narandiba (SP), alega ter sido agredido por policiais militares quando usava um banheiro público no Parque do Povo, um dos pontos mais movimentados de Presidente Prudente (SP).

De acordo com o Boletim de Ocorrência, registrado na Delegacia Participativa da Polícia Civil, em Presidente Prudente, a vítima alegou que utilizava um banheiro público do Parque do Povo, na Avenida 11 de Maio, quando foi agredida, no dia 20 de outubro.
 
Rafael Gomes, que é professor de educação infantil, contou à polícia que estava em Presidente Prudente para fazer uma perícia médica, pois é deficiente físico e encontra-se em processo de afastamento de seu trabalho através do Instituo Nacional do Seguro Social (INSS), e que utilizou o transporte público oferecido pela Prefeitura de Narandiba para ir ao compromisso. Como chegou antes do horário agendado para a perícia, resolveu esperar no Parque do Povo e foi quando utilizou o banheiro masculino.
 
Enquanto estava em um dos boxes do banheiro, o professor disse à polícia que ouviu um barulho de alguém batendo e perguntando quantas pessoas estavam naquele espaço, por volta das 8h, momento em que a vítima respondeu que havia apenas uma pessoa.
 
Em seguida, o professor alegou que a mesma pessoa que o havia questionado empurrou a porta do boxe em que ele estava. A porta bateu no celular da vítima e o aparelho caiu no chão.
 
Neste momento, o homem percebeu que se tratavam de policiais militares, devido ao uso da farda.
 
Ainda conforme consta no registro oficial da ocorrência, os policiais puxaram a vítima e começaram a desferir socos e chutes em Rafael Gomes. O professor disse à polícia que, durante as agressões, estava sozinho.
 
A vítima ainda relatou que estava no local somente para fazer suas necessidades fisiológicas e que não cometia nenhum ato ilícito.
 
O professor não soube informar o nome dos policiais, tendo apenas tirado uma foto da placa da viatura que presumiu ser dos envolvidos. A vítima se comprometeu a enviar a imagem à delegacia, para a apuração dos fatos, segundo o boletim.
 
'Desnorteado'
 
Rafael Gomes contou que, depois do ocorrido no banheiro público, ficou desnorteado, sem saber por que aquilo havia acontecido com ele.
 
O professor contou que o lado esquerdo de seu corpo está paralisado e, por conta disso, seria submetido a perícia médica no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em Presidente Prudente, para afastamento de seu trabalho pelo INSS.
 
"Eles começaram a me agredir sem falar nada. Um me segurava e o outro me batia. Eu estava de boné na cabeça e com óculos de sol no rosto. Teve uma hora em que levei um soco tão forte na cabeça que escureceu tudo, foi quando pedi para Deus que não me deixasse desmaiar ali. Um dos policiais me arrancou de dentro do boxe e eu saí desnorteado. Meus óculos de sol caíram no chão e um dos policiais os pisou e os estraçalhou com a bota que usava", relembrou o professor.
 
Gomes ainda disse que depois encontrou uma mulher e pediu ajuda.
 
"Ela me perguntou o que tinha acontecido comigo, pois meu nariz estava sangrando. Eu ainda não tinha visto que estava sangrando. Contei para ela o que havia acontecido. Ela me deu água e me orientou a sair dali. Agradeço muito a ela", acrescentou.
 
Gomes também contou que, depois do ocorrido, acionou o telefone 190, da própria Polícia Militar, e falou o que havia acontecido. Segundo ele, a equipe disse que mandaria a viatura mais próxima para ajudá-lo.
 
"Fiquei com medo, pois pensei que a viatura mais próxima poderia ser a dos policiais que tinham me agredido. Não esperei. Chamei um carro pelo aplicativo e fui para a minha consulta. Pouco tempo depois, por conta do chamado que abri, os bombeiros me ligaram. Expliquei o porquê não havia esperado e disse que depois iria tomar as medidas cabíveis", relatou.
Posteriormente, Gomes foi até a Delegacia Participativa e registrou o Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, onde foi solicitado o exame de corpo de delito.
 
"Só quem passa por isso sabe o que é de verdade. Até agora, fico imaginando o porquê de aqueles policiais, que deveriam me proteger, terem feito isso comigo. Eles não pediram nenhum tipo de identificação, já chegaram me agredindo. Até quando pessoas inocentes vão sofrer agressões por aqueles que deveriam nos proteger? Só tenho a agradecer a Deus por ter me livrado de coisa pior que poderia ter acontecido", pontuou.
 
Diante da situação que alega ter vivido, Rafael Gomes pretende ir à Justiça para buscar o esclarecimento do caso.
 
A advogada da vítima, Gláucia de Freitas, disse que irá propor uma ação de cunho criminal, por lesão corporal, e ainda uma outra de cunho civil e indenizatória.
 
"Estamos coletando todas as informações e dados necessários. A intenção até quinta-feira [29] é já dar entrada na ação", explicou.
 
Polícia Militar
 
A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, solicitando um posicionamento da corporação a respeito do caso, que supostamente envolve dois policiais militares.
 
Em nota nesta segunda-feira (26), a instituição esclareceu que, quanto ao fato ocorrido no dia 20 de outubro, até o presente momento a PM não havia sido comunicada sobre a agressão sofrida pela vítima. A PM também alegou que, em nenhum momento, a vítima procurou a instituição e que somente tomou conhecimento do caso através da solicitação de posicionamento feita pela reportagem.
 
A Polícia Militar ainda acrescentou que não coaduna com qualquer tipo de excesso ou violência policial.
 
A corporação informou que preza para que seus agentes tenham uma postura técnica, pelo uso escalonado da força, dentro dos limites que a lei autoriza e que estão descritos nos procedimentos operacionais, adotando todas as medidas necessárias, para se evitar tais eventos.
 
"Para apuração da possível irregularidade praticada por policiais militares, será instaurado o procedimento apuratório cabível", pontuou a Polícia Militar.
 
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