Polí­cia

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Polícia Civil investiga mensagens racistas contra prefeita eleita em Bauru

A Prefeita eleita Suéllen Rosim (Patriota) será ouvida nos próximos dias. Delegado afirma que estão sendo feitas diligências.

Suéllen Rosim foi eleita prefeita de Bauru Suéllen Rosim foi eleita prefeita de Bauru

BAURU - O Setor de Investigações Gerais da Central de Polícia Judiciária de Bauru (SP) abriu uma apuração sobre ataques racistas nas redes sociais contra a prefeita eleita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (Patriota).

As mensagens foram divulgadas em um grupo de WhatsApp e chegaram ao conhecimento dela, que registrou um boletim de ocorrência após o segundo turno neste domingo (29).
 
De acordo com o delegado Eduardo Herrera dos Santos, o caso é investigado como injúria racial. Ainda não foram identificados os suspeitos.
 
"Vamos ouvir a prefeita eleita nos próximos dias, realizar oitivas e juntar documentos", explicou o delegado.
 
Mensagens
 
Em um dos trechos da mensagem postada no grupo, o agressor diz “não podemos eleger aquela mulher com cara de favelada para ser nossa prefeita. Essa gentinha irá afundar Bauru”.
 
Em outra mensagem, ele diz: “não tenho nada contra, mas essa gente de pele escura, com cara de marginal administrado essa cidade, será o fim".
 
O conteúdo com cunho racista também aparece em outra mensagem: “Essa gente de cor, representada por essa tal de Suéllen, não vai saber administrar a cidade, não tem competência.”
 
Suéllen informou que soube dos ataques por pessoas próximas que enviaram cópias das mensagens e que o seu advogado já está tomando as medidas cabíveis para que o autor seja identificado e punido.
 
“Fui alertada da situação e claro que no domingo era um dia atípico de eleição e eu queria pensar com muita calma, mas eu registrei um boletim de ocorrência e o advogado já está no caso para tomar todas as medidas necessárias.”
 
“Vivenciar algo assim a gente fica muito chateada, mas eu quero que sirva de exemplo, a gente não pode deixar esse tipo de situação passar, a gente não pode achar que isso é comum, simples e isso é aceitável. Muitas pessoas passam por isso e são silenciadas.”
 
A prefeita eleita disse também que pretende com essa atitude evitar que situações como essa continuem a acontecer.
 
“Entramos com todas as medidas judiciais possíveis para que essa pessoa seja identificada e diante da justiça corrigida. Isso não se faz muito menos em um ambiente de internet, onde as pessoas postam o que querem, comenta o que bem entendem. Nós estamos em um tempo que isso não é mais permitido, faço isso por mim e por tantas pessoas que enfrentam esse tipo de situação.”
 
Suéllen Rosim é a primeira mulher a ser eleita prefeita de Bauru. Antes dela, apenas Estala Almagro, que foi eleita vereadora nestas eleições, ocupou o cargo de vice-prefeita nos dois mandatos de Rodrigo Agostinho.
 
“Eu represento muitas mulheres, muitas negras que buscaram o seu espaço ao longo desse trajeto, não só na política, mas em todas as áreas. Então eu quero deixar essa mensagem de respeito e de representatividade. E com isso eu já começo o governo deixando essa mensagem diante do que eu me senti ofendida, mas que isso não vai me calar e não me tornar invisível.”
 
Eleição em Bauru
 
Suéllen foi a candidata à Prefeitura de Bauru mais votada no primeiro turno entre os 12 candidatos que disputaram. Ela teve 57.844 votos, o que representa (36,12%).
 
Com essa atuação, ela foi ao segundo turno na disputa de votos com o segundo colocado, Dr Raul (DEM), que ficou com 53.299 votos (33,28%) na votação de 15 de novembro.
 
Já no segundo turno, Suéllen foi eleita prefeita de Bauru com 55,98% dos votos (89.725), mais de 19 mil a frente do Dr Raul, com 44,02% (70.558 votos). Veja como foi a apuração na cidade.
 
Mais ameaças contra mulher negra
 
A vereadora Ana Lúcia Martins (PT), que foi a primeira mulher negra eleita para a Câmara de Vereadores de Joinville (SC), também registrou ocorrência após receber ataques racistas em redes sociais e até ameaças de morte. A Polícia Civil do estado instaurou inquérito por injúria racial e ameaça.
 
Com 54 anos, Ana Lúcia está entre os 19 eleitos para o Legislativo no maior colégio eleitoral de Santa Catarina e recebeu 3.126 votos (1,18%).
 
Segundo a vereadora, antes mesmo de sair os resultados das urnas, começaram os ataques, que, depois, foram agravados por duas ameaças.
 
"Por meio de um perfil fake, recebi, por duas vezes, ameaças de morte, evidenciando que o problema central era eu ser a primeira mulher negra eleita da cidade", disse Ana em uma rede social.
 
 

Fotos:

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