Cultura e Lazer

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Poeta escreve com a boca e dá exemplo de vida

Morador de Anhumas e deficiente físico, Fábio da Silva Lopes não deixa que as dificuldades o atinjam e quer publicar um livro

ANHUMAS - “Nada no mundo se compara à persistência. Nem o talento”, citou o 30º presidente dos Estados Unidos da América (1923–1929), Calvin Coolidge. Entretanto, há quem some os dois e ainda mais. O dom, a determinação, a sensibilidade, a paixão… Como Fábio da Silva Lopes, de 39 anos. Conhecido como “Fábio da Cadeira” e morador em Anhumas (SP), cidade no oeste do Estado de São Paulo cuja população é estimada em 4.026 pessoas, ele não esconde sua deficiência física, que impede seus movimentos quase que por completo nos braços e pernas e também o atrapalha na fala. Porém, esta “dificuldade” não deixa seus sonhos menores. Um deles? Publicar um livro de poesias próprias e mostrar o seu trabalho e o seu profissionalismo à sociedade.

Devido à sua deficiência, vinda desde o nascimento, Fábio não frequentou o ensino regular e aprendeu a ler somente aos 16 anos com a ajuda de familiares. Mas foi há cinco anos que um computador que ele ganhou de presente de Natal o introduziu de vez no mundo da escrita. Ele fez de uma vareta de bambu – ou o seu “pequeno bastão”, como o chama – seus dedos e, com o objeto na boca, passou a preencher as páginas em branco de seu notebook com suas experiências, que se transformam em poemas e tocam a vida de quem os lê.

Torpedo

Tudo começou com “torpedinhos” escritos e enviados para amigos e familiares. “Aí peguei gosto pela coisa”, declarou Fábio. No início, o poeta enviava mensagens pequenas para não se tornar cansativo para quem lia, mas, após participar do Sarau Solidário, que acontece no Centro Cultural Matarazzo, em Presidente Prudente, os textos aumentaram para que fossem enviados ao evento também. “Mandei um para ver no que dava e muita gente agradeceu, admirou”, contou.

Mostra a um, mostra a outro, até que os poemas chegaram às vistas de Mânia. “Falo que a nossa história começou assim”, lembrou. Durante um festival de diversidades culturais em Anhumas, no fim do ano passado, Fábio mostrou-lhe o “torpedo”. “Falei: ‘Nossa, bacana! Você que escreveu?’. Ele falou: ‘É, eu escrevo’”, lembrou a amiga. “Eu me sensibilizei com o poema e ele falou que gostava de escrever e que tinha outros”.

Então, Fábio começou a enviar os torpedos e poemas que escrevia também a Mânia. “Até que falei: ‘Fábio, tive uma ideia, vamos montar um livro. Já que você escreve tão bem, vamos correr atrás”, contou. Conforme relatou a amiga, o poeta sempre comentava que tinha vontade de lançar um livro. “E a Mânia quem ajudou o meu sonho a aumentar cada vez mais”, afirmou Fábio.

“E eu fui animando, fui motivando para que isso pudesse acontecer”, afirmou Mânia. Porém, como moram em uma cidade pequena, a questão de patrocínio não teve um retorno positivo. “Foi quando fui atrás da Prefeitura e falei: ‘Vocês conseguem pelo menos imprimir?’”, relatou.

“Mas não ficou um livro, ficou um esboço. A gente queria que fosse uma capa dura. Infelizmente, não ficou do jeito que a gente queria, mas fizemos todo um projeto".

Foram impressas 30 cópias, estas que acabaram entregues a anhumenses no último dia do Salão do Livro da cidade, realizado em março, quando também foi apresentada a sua história. “Nós distribuímos para as pessoas que estavam lá. Foi um dia de chuva, tinha pouca gente, mas, quem esteve no evento, gostou muito e ele fala que quer continuar escrevendo. Então, eu falei para ele: ‘Não diminua este sonho’”, contou.

 

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