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Denúncia: abatedouro de Parapuã é parte de matéria no Fantástico
Local foi interditado pela Prefeitura; animais eram cortados no chão sem qualquer cuidado de higiene
PARAPUÃ - O município de Parapuã foi tema de parte de uma matéria-denúncia no Fantástico da Rede Globo neste domingo (10). Na reportagem sobre a falta de higiene e abate cruel de gados em todo o país, o péssimo exemplo do vizinho município virou parte do trabalho dos jornalistas.
Carnes de animais mortos nestes locais podem transmitir doenças graves, como cisticercose, que ataca o cérebro, e toxoplasmose, que provoca problemas no fígado, pulmão e coração.
No caso de Parapuã foi mostrado um problema comum nos abatedouros do país: animais são cortados no chão, onde a carne acaba sendo contaminada.
“Nós baixamos um decreto municipal interditando o matadouro por 15 dias para que a gente possa buscar adequar ele às normas da Vigilância Sanitária”, diz Samir Pernomian, prefeito de Parapuã.
No chão do matadouro havia insetos mortos, poças de sangue secas e fezes de ratos.
Um ex-funcionário do abatedouro mostrou ao Fantástico as irregularidades. “Sem nada, do jeito que está. Roupa normal, não tem uma luva, não tem nada. Nada, nada. Máscara, nada, nada. Ergue no balanção aqui. Com essa mão suja que você já veio aqui e pegou aqui tudo enferrujado, você vai lá e encosta no animal. Rato tinha demais. Rato aí, Ave Maria, tem muito. Só rato grande”, declara o motorista Alexandro Roberto Santos.
Alguns abatedouros atraem animais ainda maiores. Em Braúna, cachorros e gatos comem os restos dos abates.
Antes de ser eleito prefeito de Braúna, Vander Bosco era o veterinário responsável pelo abate.
“Aqui precisa mudar quase toda a estrutura, ter a higienização melhor. É deficitário. A prefeitura não tem capacidade de melhorar. Tem que ter incentivo do governo”, declara Vander Bosco, prefeito de Braúna e veterinário.
Doenças
O pior do abate sem condições sanitárias é a transmissão de doenças para quem vai consumir a carne. E a lista não é pequena.
A principal delas é a cisticercose, que ataca o cérebro, provoca convulsões e distúrbio de comportamento. Teníase infecta os intestinos. Causa dores, náuseas e perda de peso. Listeriose causa febre, dores de cabeça e pode provocar abortos em grávidas. Toxoplasmose provoca problemas no fígado, pulmão e coração. Tuberculose, que causa problemas nos pulmões.
“De todas as tuberculoses humanas, 10% são por micro-bactéria Bovis, que é uma bactéria do boi. Então é fundamental que tenha realmente muita vigilância e cuidado com esse tipo de alimento”, alerta Leandro Teles, médico do Hospital das Clínicas, da USP.
A venda da carne para a população precisa respeitar normas de armazenamento. O consumidor deve procurar saber a origem da carne. Se for processada por frigoríficos fiscalizados, ela é segura.
No frigorífico, o gado não vai direto para o abate. Ele fica nos currais entre 12 e 24 horas descansando. O animal não se alimenta mais, apenas ingere água. Segundo os veterinários, esse processo faz parte de um trabalho de controle de qualidade da carne.
O correto é que o animal passe por exames. Depois do abate, a carcaça não pode ter nenhum contato com o chão. Os funcionários têm 40 minutos para retirar as vísceras e evitar que a carne seja contaminada por bactérias. Seis funcionários fazem a inspeção.
“Todas as carcaças que saem do sistema de inspeção têm um carimbinho do serviço federal, municipal ou estadual”, explica Enio Marques, secretário da Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura.
“É importante que a dona de casa toque a carne, perceba se não tem alguma coisa pegajosa, se a carne não está viscosa. É importante apertar para ver se não está dura demais, ou mole demais. Se você está num local onde você vai comer fora ou não consegue garantir a procedência da carne, é fundamental que você não consuma carne mal passada”, alerta o médico Leandro Teles.
“Quando tiver dúvida da procedência de um produto, entrar em contato com a vigilância sanitária, para que haja uma possibilidade de ação preventiva, eliminando gradativamente os focos de produção clandestina”, declara Enio Marques, secretário da Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura.
E é preciso que a fiscalização por parte dos municípios e estados seja mais rigorosa, inclusive nos abatedouros legalizados.
“Precisa haver um esforço coletivo das autoridades públicas, porque nós consideramos como crime. Um crime contra a saúde pública”, diz Péricles Salazar, presidente da Abrafrigo.
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