- Atualizado em 20/10/2020 09:56

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Justiça de SP aceita denúncia contra terapeuta acusado de estupro

Para o MP, terapeuta se aproveitou da vulnerabilidade da vítima para cometer abusos.

SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réu, por estupro de vulnerável, o terapeuta Tadashi Kadomoto, que atua em todo o Brasil e já recebeu dezenas de milhares de pessoas em seus cursos e treinamentos.

O terapeuta é acusado por uma ex-aluna. 
 
Tadashi Kadomoto é conhecido como "guru da meditação na pandemia". Suas lives em redes sociais costumam atrair milhares de seguidores com mensagens de autoconhecimento. Ele também atua há quase 30 anos fazendo terapia transpessoal, que usa hipnose, meditação, regressão e relaxamento.
 
Em nota, a defesa de Kadomoto afirmou que "em toda a sua reconhecida trajetória profissional, jamais recebeu solicitação de esclarecimento sobre qualquer fato e nenhuma denúncia formal até o momento".
 
Durante a madrugada desta segunda-feira (12), Kadomoto postou um vídeo em uma rede social para comentar o caso. Ele nega abusos e afirma que estará à disposição da Justiça. O terapeuta também disse que se afastou de suas atividades.
 
Uma ex-aluna e também paciente de Tadashi Kadomoto procurou o Ministério Público no fim do ano passado para fazer a denúncia. Ela contou que foi estagiária no instituto que leva o nome do terapeuta e que também buscou atendimento em uma clínica dele para tratar distúrbios alimentares.
 
A mulher afirmou que foi vítima de vários abusos sexuais durante 7 anos de tratamento e treinamento. Depois de ouvir testemunhas e coletar provas, a Promotoria denunciou o terapeuta, que responderá na Justiça por 5 estupros.
 
O advogado da vítima, Luiz Flávio D'Urso, afirmou que os problemas dela pioraram com os abusos. "Em vez de melhorar, ela piora… Piora a anorexia, não encontra o conforto buscado. Pelo contrário, ela encontra uma angústia que se amplia. Ela não via nada, estava totalmente envolvida por ele e foi vítima de abusos sexuais. Isso tudo aconteceu sem a consciência dela e sem nenhuma capacidade de resistência", disse ele.
 
A mulher não quis gravar entrevista.
 
Além de estupro de vulnerável, Tadashi Kadomoto também foi acusado de lesão corporal grave pelos danos psiquiátricos causados a ela.
 
O terapeuta poderá se defender no processo, que entra em uma nova fase de investigação. Caberá à Justiça ouvir as partes e julgar se ele é culpado pelos crimes.
 
A promotora responsável pelo caso, Celeste Leite dos Santos, afirmou que o terapeuta se aproveitou do momento vulnerável da vítima.
 
"Foi de uma forma progressiva... Começou com um toque, depois troca de e-mails, até que ele consumou, quando ela não tinha a menor capacidade de assumir resistência, o ato sexual, não respeitando sequer o fato de que a vítima estava grávida."
 
"Ele tinha ciência que ela tinha distúrbios alimentares. E em vez de ser fonte de tratamento, ele foi agravando todos esses problemas para poder atingir o seu objetivo, que era o mesmo desde o princípio: obter conjunção carnal com a vítima", disse a promotora.
 
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