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44092Greve dos caminhoneiros entra no oitavo dia
Mesmo com medidas anunciadas pelo presidente Michel Temer, movimento continua em paralisação
Mesmo com o anúncio do presidente Michel Temer, que pelos próximos 60 dias vai conceder um desconto de R$ 0,46 no litro do diesel, o movimento grevista de caminhoneiros continua.
Em Osvaldo Cruz e Parapuã, os manifestantes passaram a madrugada na rodovia a fim de barrar a passagem de caminhões com carga, principalmente de combustíveis.
"Não vamos parar. Nossa briga agora é pela população também. Algumas propostas foram interessantes, mas o primordial que é o combustível não nos agradou", disse à Rádio Metrópole Carlinhos Fruteiro , que é um dos líderes do movimento.
Medidas do Governo
O presidente Michel Temer (MDB) anunciou na noite deste domingo (27) que cederá um desconto de R$ 0,46 em impostos no preço do litro do diesel por 60 dias.
"Essa redução corresponde aos valores do PIS/Cofins e da Cide somados", afirmou o emedebista. Inicialmente, o desconto duraria somente 15 dias, mas o governo decidiu atender a reivindicação dos caminhoneiros paralisados há uma semana pelo país. "A partir daí, daqui a dois meses, só haverá reajustes mensais. Assim, cada caminhoneiro poderá planejar melhor seus custos e o valor do frete. É a chamada previsibilidade."
Temer disse que o desconto será concedido "sem nenhum prejuízo para a Petrobras", mas não explicou como o rombo nas contas da empresa será evitado. O ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) estima que o atendimento às reivindicações da greve custará em torno de R$ 10 bilhões ao governo.
O presidente também anunciou a edição de três medidas provisórias para atender pleitos dos grevistas. "Estou editando uma medida provisória para que seja cumprida em todo o território nacional a isenção do eixo suspenso nos pedágios em todas as rodovias do país. Assinei uma medida provisória para garantir aos caminhoneiros autônomos 30% dos fretes da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e uma medida estabelecendo tabela mínima de fretes conforme previsto no projeto de lei 121, que está sob análise do Senado."
"Gostaria de reforçar que as medidas negociadas e assinadas pelos ministros e pelas lideranças seguem valendo. Entre elas, apenas para citar uma, está o acordo de que não haverá reoneração da folha de pagamento do setor de transporte rodoviário de carga", acrescentou o emedebista.
"Fizemos nossa parte"
Com o anúncio, o presidente cobrou a volta dos caminhoneiros ao trabalho. "Fizemos nossa parte para atenuar problemas e sofrimentos. As medidas que acabo de anunciar atendem às reivindicações que nos foram apresentadas. Por isso, quero manifestar a plena confiança no espírito de responsabilidade, de solidariedade e de patriotismo", declarou. "Os efeitos dessa paralisação na vida de cada cidadão me dispensam de citar a importância da missão de cada trabalhador do setor de cargas."
As medidas foram adotadas após várias reuniões realizadas pelo gabinete montado para tentar encerrar a crise provocada pela mobilização dos caminhoneiros, que já dura uma semana. Mais cedo, o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), havia anunciado que as negociações só avançariam caso o governo federal cedesse no prazo de 60 dias. "Nas últimas 48 horas, ao mesmo tempo em que nos esforçávamos para garantir abastecimentos essenciais, seguimos em conversas com líderes do movimento", afirmou Temer.
No entanto, as medidas podem não garantir o fim da paralisação. Mais cedo, segundo reportagem do Estadão Conteúdo, nos grupos de WhatsApp de caminhoneiros, a ordem era manter a paralisação, pelo menos, até terça-feira (29). Por ora, a maioria concordou em liberar as estradas e permanecer estacionados em pontos estratégicos.
Em um vídeo que está circulando nos grupos de WhatsApp, representantes chamam, além dos caminhoneiros, veículos de passeio para parar as rodovias federais. Além disso, manifestações em pontos estratégicos das principais capitais também estão sendo organizadas.
Líderes caminhoneiros que foram ao Palácio do Planalto na noite de hoje levaram uma pauta mais ampla de reivindicações. "Nossa pauta é mais gorda que a apresentada antes", disse Gilson Barbosa, representante do Movimento de Transportes de Grãos, de Mato Grosso. Com ele, estavam representantes autônomos de Estados como Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e entorno do Distrito Federal.
Um pleito não atendido pelo governo é a garantia de 30% do transporte da carga dos Correios para motoristas autônomos.
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